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Luan Santana fala sobre planos para a carreira e afirma: “Quero que o meu canto ecoe”

Luan Santana é capa da 35° edição da revista União Brasileira de Compositores. Além de uma entrevista exclusiva com o cantor, a matéria também conta com relatos de pessoas que acompanham de perto a sua carreira bem sucedida.

Confira a matéria completa!

Luan Santana nem completou 27 anos e já celebra uma década de uma carreira bem-sucedida. Talvez o maior nome do sertanejo hoje, ele se mantém há anos no topo graças a uma capacidade notável de se comunicar com seu público e de capitar zeitgeist, o espírito do tempo, no universo sertanejo e que hoje se manisfesta nas misturas e funções com ritmos variados, de axé e funk a rock e hip hop. Luan inova ao se associar a nomes como Anitta ou Tiê, Péricles ou Nego do Borel, Zézé di Camargo & Luciano ou (possivelmente) o fenômeno latino CNCO.

“Ele é um artista que as pessoas já enxergam para além de um segmento. Faz música para o Brasil, com sua identidade e personalidade. Então, sempre terá de tudo nas músicas, pois ele gosta de tudo”, descreve Dudu Borges, o principal produtor sertanejo do país e um dos responsáveis por alavancar a carreira de um jovem Luan, surgido como tantos outros da sua geração: após o estouro espontâneo no YouTube e nas redes sociais.

“Luan é um dos poucos do mundo que conseguiram fazer a transição perfeita do fenômeno adolescente ao artista adulto consagrado. Desde que o conhecemos, dez anos atrás, demonstrou uma grande clareza do que queria e uma visão artística muito consciente. Nunca teve medo de ousar”, resume Marcelo Soares, presidente da Som Livre, a gravadora do artista.

Num papo com a Revista, Luan fala sobre os rumos do sertanejo, suas próprias decisões na carreira e o inevitável passo rumo à internacionalização.

O sertanejo vive uma nova onda, talvez a maior depois do surgimento da vertente universitária. Com a incorporação maciça das mulheres e a mistura de estilos, virou um fenômeno de Norte a Sul do país. Essa expansão é positiva para os artistas, mas pode ser vista como um afastamento das origens?

Não existe formula para o sucesso. O que existe é a vontade de fazer o que mais ama e atingir o coração das pessoas. A música é a minha essência. Rótulos limitam. O sertanejo era visto como brega. Falar de amor antes era brega. O Brasil aderiu o amor. Falar de amor, em todos os tempos, é o que nos move. 

Qual a sensação de ter uma música sua (“Acordando o Prédio”) como a mais ouvida nas rádios brasileiras no ano passado? 

Recebo a notícia através do meu divulgador, Kezinho, que enviou o relatório. Fiquei imensamente feliz. Além de todos os prêmios que “Acordando o Prédio” me trouxe, como o Prêmio Multishow, o troféu Melhores do Ano do Faustão, o Caldeirão de Ouro, o prêmio Nick, comecei o ano com o pé direito tendo essa notícia maravilhosa. “Acordando o Prédio” tem uma letra ousada, mas primamos por um clipe que misturasse humor, para não explorar o apelo sexual. Gostei do resultado. Sem falar que gravar em Cuba, pedindo emprestada aquela alegria do povo e colorido da ilha, foi inesquecível. Quero continuar acordando muitos prédios em 2018 com o sucesso desta música e outras tantas até ultrapassar 20150 ou a eternidade. 

Talvez já tenha tido a curiosidade de colocar seu nome em mecanismo de busca na web. Os resultados são variadíssimos, de “noticias” sobre seu eventual casamento à compra de carrões e jatinhos, passando por um desentendimento em um bar nos Estados Unidos. Essa insistência de uma certa imprensa em destrinchar cada passo da sua vida o incomoda? 

Sabe aquela história de ‘preço da fama’? A fama não tem preço. Tem valor. O valor da conquista tem seus prós e contras, como todo trabalho. E isso é bom, é o resultado de uma carreira reconhecida. 

Uma óbvia expansão da sua carreira seria o exterior. Pensa nisso?

Sabe o que penso de verdade? Eu penso que é se limiar demais excluir todo esse ecletismo musical nosso, toda essa brasilidade de sons e tons, de ritmos, de danças e de cores, do chamado mercado latino, do mercado internacional. A música latino-americana inclui desde os mariachis do México à salsa de Cuba, dos sons indígenas do Peru, da Bolívia e do Equador  à flauta andina… E porque não as sinfonias de Villa-Lobos, a bossa nova de Tom Jobim, a Tropicália de Caetano, o axé de Daniela (Mercury), Ivete (Sangalo) e tantos, o pagode do Zeca (Pagodinho) ao Thiaguinho, o sertanejo nosso de cada dia? Também somos latinos, nossa música pede passagem. Como diz naquele samba: “chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar o seu valor”. 

Isso incluiu gravar em outras línguas? 

Não quero me sentir na obrigação de cantar em inglês ou espanhol para mostrar o meu trabalho ao mundo. Mas também posso cantar para que nos ouçam. Eu quero que o mundo nos veja pelo que de tão lindo temos: a nossa música, a nossa democracia musical. Acredito que Tom Jobim faz a bossa nova ganhar o mundo com nosso sotaque e sua talentosa arte. Roberto Carlos é mundo, é internacional, com o seu romantismo em português. Emoções não tem fronteiras e, sem parecer pretensioso, eu quero que o meu canto ecoe com a mesma força com que este Brasil abraça tantos povos e línguas.  

Do União Brasileira de Compositores
Edição: News Luan Santana

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