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Luan Santana relembra história com Fernando & Sorocaba em prefácio de livro sobre a dupla
Publicado 11 de novembro às 17:26h

Costumado a divulgar seus textos nas redes sociais, Luan Santana mostrou, mais uma vez, o seu lado de autor ao relatar sua história com Fernando & Sorocaba no prefácio do livro “Ainda Existem Caubóis”, que fala sobre a saga e influencia da dupla na música sertaneja.

Confira o texto completo!

A união entre o passado, o presente e o futuro do sertanejo 

Meu sonho, desde que ganhei o primeiro violão, aos três anos, sempre foi ser cantor. E muitas pessoas me ajudaram e foram fundamentais neste processo. Meu pai, que organizou a logicística dos primeiros shows e cuidou de perto da minha carreira. Minha mãe que me consolou nos momentos mais difíceis do começo, quando eu tinha duvidas se realizarias esse sonho. Muitas outras pessoas tiveram papel fundamental no meu desenvolvimento – entre elas, Fernando & Sorocaba, meus parceiros desde o início. Foi Sorocaba que criou “Meteoro”, música que impulsionou a minha carreira pelo Brasil. 

Quando conheci a dupla, estava em um momento crucial. Depois de lançar três ou quatro músicas, fiquei conhecido no Centro-Oeste como o Gurizinho de Jaraguari, graças a uma gravação de “Falando Serio” que viralizou no YouTube. Os primeiro shows apareceram, e eu caí na estrada. Aos dezesseis anos, comecei a enfrentar todo tipo de problema que um artista iniciante pode ter: contratante que dá calote, palcos em condições precárias, shows distantes de casa que quase não geram dinheiro. É necessário ter muita força de vontade para perseverar. 

Em meio às primeiras dificuldades, uma dupla gravou “Falando Sério”, até então meu grande sucesso. Não havíamos garantido a exclusividade dela porque não tínhamos dinheiro suficiente, e a música estourou em outros estados sem mim. Perdi o chão. Parecia que o plano de explorar outros mercados estava ruindo. Comecei a reavaliar minha curta carreira e as perspectivas de futuro. A correria, que até então me dava prazer, passou a não fazer tanto sentido. Sobrava pouco dinheiro, o sucesso parecia distante. Chorei muito, pensei em acabar com tudo. Tentamos outras músicas, que mais uma vez foram regravadas por outros artistas e “tiradas” de mim. Mas o meu sonho, ah!, isso nunca ninguém me tirou. 

Conheci o Fernando e o Sorocaba na Festa Nacional do Marreco (Fenarreco) de 2008, em Brusque, Santa Cataria. Eles estava, fazendo muito sucesso com a música “Bala de Prata” – uma música que eu adoro -, e fui chamado para me apresentar na noite em que eles eram a atração principal. No dia do show, eu tinha uma entrevista agendada na rádio Guararema, assim como Fernando & Sorocaba, que pediram para entrar no ar antes de mim. Enquanto esperava para fazer a entrevista, sentado nos corredores da rádio, observei a chegada deles. Eram astros, sucesso nacional, e mesmo assim foram muito simpáticos com os pedidos de abraços, fotos e autógrafos. Fiquei pensando se um dia chegaria ao lugar a que eles tinham chegado – a atração principal de uma festa no interior, que arrancava sorrisos das pessoas. Foi nesse momento, perdido nos meus sonhos, que Sorocaba perguntou por mim. Levei um susto. Meu coração disparou ao perceber que ele vinha na minha direção para me cumprimentar. Queria me chamar para fazer uma participação no show deles naquela noite. Sabe quando os céus atendem às suas preces? É essa a sensação das cortinas se abrindo para você tirar o seu caminho. 

Na apresentação, cantei “Telefone Mudo”, de Franco & Peão Carreiro. Foi como eu sonhava. Estava diante de 10 mil pessoas, um público inédito para mim, e com a estrutura mais profissional que já tinha visto. A nossa sintonia foi tão boa em cima do palco que senti uma abertura para uma aproximação maior. Quando nos encontramos no hotel, depois do show, nosso santo bateu de vez. Fiz alguns duetos com o Soroca e cantei minhas músicas próprias para ele, que também me mostrou composições inéditas. A conversa evoluiu rápido para os negócios e fizemos um acordo verbal para formar uma sociedade – alguns dias depois oficializamos a parceria. Mal sabia eu que aquele encontro não tinha sido obra do destino. O Sorocaba, que já conhecia minhas músicas e queria trabalhar comigo, foi quem sugeriu para o Ney Massa, produtor da Fenarreco e irmão do apresentador Ratinho, que me contratasse parar participar do evento. Serei eternamente grato por isso. 

Àquela altura, eu, meu pai e meu antigo empresário já tínhamos traçado uma estrategia para a minha carreira. Com Fernando & Sorocaba, aprimoramos o projeto. Foi a partir daí que me mudei para Londrina, onde abri o meu escritório e montei a banda que me acompanha até hoje. A dupla não mediu esforços para vender o meu show para contratantes como quem tinham estabelecido relações ao longo dos anos – a mesma equipe que viajava o Brasil com o material promocional dos dois também foi encarregada de distribuir o CD que eu tinha gravado. Foi assim que começamos o gerenciamento da minha carreira. 

Nos primeiro meses excursionamos juntos, e eu abria os shows. Foi uma experiência incrível. Até então, não tinha ideia de como era uma turnê profissional. A dupla cuidava do espetáculo não só como uma experiencia musical, mas também visual. Nenhum outro artista do sertanejo tinha essa preocupação. Na época, eles cantavam em cima de uma grua que passava por cima do público, com o objetivo de quebrar a barreira que existia entre a figura dos artistas e os fãs, deixando o show mais atrativo e acolhedor. Nós nos demos muito bem, conversávamos o tempo todo. Nossos trabalhos se completavam: eles eram a dupla que falava sobre baladas, festas e pegação, e eu sempre mantinha a vibe do romantismo puro, do amor a toda prova. Era uma união perfeita. 

Uma das coisas que mais me alegram foi o interesse deles pelas minhas composições proporias, não apenas pela minha persona de cantor. Eu já tinha composto “Chocolate”, mas com a ajuda do Soroca, que é um mestre das palavras, aperfeiçoei as minhas habilidades. Escrevi muito com ele naquela época. Um melhorava o outro. Ele tinha um tino pop para melodias, sabia como exatidão como criar algo que ficasse tatuado na memória das pessoas. O problema é que ele estava preso a um mundo muito adulto, que não tinha a ver com o meu público. Eu o ajudei a entender essa outra linguagem, e ele pegou rápido o jeito de falar com a minha geração. 

Sorocaba foi o responsável pelo meu estouro nacional. Depois de um show em Curitiba, ele me chamou de canto e falou que tinha composto algo que era perfeito para mim. Um “hit certeiro”, nas palavras dele, chamado “Meteoro da Paixão”. Pirei já na primeira audição. Era uma música perfeita: pop, jovem, universal. E pensar que o Soroca a compôs em quinze minutos, de uma tacada, mudando poucas palavras depois. Ele brinca que a música “baixou” nele no momento da composição, como uma força sobrenatural. Eu acredito. Essas coisas são inexplicáveis. Minha única contribuição foi encurtar o nome para “Meteoro”, porque eu achava que tinha mais apelo. Gravamos a música em São Paulo, no estúdio do Ivan Miyazato, e depois a faixa fez sucesso no Brasil inteiro. O resto é história. 

Se o Sorocaba foi fundamental no meu amadurecimento como compositor, o Fernandinho ajudou a ampliar meus horizontes sonoros. Foi ao lado dele que coproduzir o álbum “Quando Chega a Noite”, lançado em 2012. Nas diversas noites que passamos no estúdio, ele me ensinou muito sobre arranjos e como utilizar técnicas simples de gravação para atingir a sonoridade exata que eu buscava. Eu o considero um produtor meticuloso, preocupado com todos os detalhes. Além de ser um grande músico, com um talento nato, um feeling para a canção, está sempre em busca de novos conhecimentos para aprimorar seu trabalho. Aprendi muito com ele sobre humildade. 

Sinto uma gratidão muito grande por eles terem impulsionado a minha carreira e ficou muito feliz em sobre que não fui único que recebeu essa bênção. No nosso meio, não era comum os artistas se ajudarem. Foi comigo e com a produtora de Fernando & Sorocaba, a FS Produções, que a dupla inaugurou uma nova era na relação entre os sertanejos. Eles não veem os outros artistas como meras oportunidades de negócios, e sim como parceiros de verdade. Falo com mais propriedade da minha experiencia, mas sei que Lucas Lucco, Thaeme & Thiago, Marcos & Belutti e muitos outros só se beneficiam da competência deles. 

O papel que desempenham no regaste da tradição do gênero também é muito importante. O projeto Lendas, por exemplo, que reuniu Milionário & Marciano, foi uma bela homenagem ao trabalho desses dois grandes artistas; Todo cantor sertanejo foi fã das primeiras gerações e sabe cantar sucessos como “Ainda Ontem Chorei de Saudade”e “Estrada da Vida”. Dar uma oportunidade para que eles gravem um DVD luxuoso, com uma estrutura profissional de tão alta qualidade, é algo que poucos empresário fariam. 

Os artistas e suas carreiras não são apenas números e cifras para Fernando & Sorocaba. Eles são verdadeiramente apaixonados pela música e isso transparece em seus shows. São, sem dúvidas, grandes responsáveis pelo passado, presente e futuro da música sertaneja. Sorte nossa que vivemos na mesma época que eles. 

Do News Luan Santana

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